Além da UX, em busca do invisível!

Há alguns anos atrás (2015, para ser exato), escrevi esse artigo no LinkedIn, adaptei para o Medium alguns anos depois e hoje publico também no meu portfólio, mas sem outro update.

Primeiramente, gostaria de ressaltar que uma adaptação foi necessária, pois naquela época, apesar de trabalhar com design para produtos digitais, o minha experiência com UX era menor, e eu não trabalhava especificamente com isso. O que me chamou muita atenção na hora de adaptar este texto, pois apesar de pouco conhecimento na área, eu projetava ou pelo menos tinha a consciência do poder desses detalhes (irado né? Para mim foi!).

Vamos ao ponto.

Naquele ano, assisti uma palestra de um designer chamado Tony Fadell que falava sobre o grande segredo para um ótimo design, seja lá qual fosse o produto. O ponto em que Tony quis chegar, foi justamente levar a atenção das pessoas para aqueles detalhes mínimos em que ninguém percebia ou achava que faria alguma diferença. Isso pode parecer óbvio, mas o sentido por trás dos detalhes buscados é muito mais relevante do que parece.

Afinal, como um simples parafuso padronizado pode futuramente impulsionar absurdamente suas vendas, ou como vender um celular com a bateria já carregada ao sair da loja pode melhorar a experiência de compra do consumidor?

O real sentido de buscar os mínimos detalhes está muito além de só impulsionar vendas ou trazer os inúmeros benefícios de marketing que conhecemos para a marca. Levar uma boa experiência de consumo é claramente um diferencial que as empresas buscam cada vez mais todos os dias. Mas estaria ao nosso alcance (designers, desenvolvedores, gestores, etc) apenas trazer essa boa experiência?

E se as empresas decidissem resolver problemas que não estão diretamente ligadas a ela?

“Se um usuário tem um problema então nós temos um problema”. — Steve Jobs

Vou exemplificar o ponto que pretendo chegar.

Qual o maior problema em se ter um carro e fazer uso do mesmo todos os dias em uma cidade como São Paulo? O trânsito, claro! Se ao desenvolver um carro, as montadoras levassem em conta esse detalhe que está direcionado ao produto delas, poderíamos sim ter uma melhor experiência. Qual a diferença entre ficar duas horas no trânsito ou assistir uma partida de futebol? Nas duas situações, estamos parados e não acrescentamos (praticamente) nada em nossa vida, só que uma nos dá prazer e outra não. Que tal ficar parado no trânsito com nosso carro sincronizado aos podcasts favoritos, tudo ordenado por comandos de voz, mensagens de texto sem tirar os olhos da estrada, ou quem sabe um self-driving, nessas horas e aproveitar para ler um livro ou assistir uma série? Muito Black Mirror, né?

Temos uma caixa de correio no prédio e precisamos olhar todos os dias lá para ver se temos correspondências. Porque ela não simplesmente não nos avisa automaticamente nos nossos celulares ou smartwatchs?

O real sentido é humano. É pensar além do que vemos, além do nosso produto.

São detalhes aparentemente pequenos e invisíveis que fazem com que a experiência de nosso consumidor seja não só satisfatória, mas única.

Humans have always been emotional and have always reacted to the artefacts in their world emotionally”. Alan Cooper

Essas ideias, além de precisarem ser detectadas a cada tarefa ou projeto, precisam sair do papel! Claro que não podemos propor coisas novas a cada demanda do dia. Mas analisando processos, metodologias para criação e para a visão do consumidor final, podemos chegar a pontos cruciais para tornar nosso serviço mais forte, inovador e melhor para sociedade no geral. Não é só criar para colocar o produto X ou Y na rua. É criar para que ele interaja diretamente com sua vida, seja junto com outros produtos, serviços ou até com outras marcas!

Portanto, quando você propuser ideias para resolver esses detalhes, não tenha medo. Seu chefe pode achar que você é um idiota, ou seu cliente pode achar que você é um maluco. Mas isso é fácil de se recuperar.

Difícil mesmo é aparecer com algo previsível e convencer as pessoas de que você é capaz de mais. Busque sempre o invisível, isso não é só UX.

Para finalizar, gostaria de deixar essa foto de um cartaz que estava num bar que gosto muito aqui em São Paulo:

Pois é, simples assim.